Sexta, 20 Jul 2018 -

Estado

Miracema do Tocantins

PM desocupa escola e leva estudantes algemados para delegacia

 

Manifestantes ocupavam colégio estadual para protestar contra PEC 241.
Pedido de desocupação foi feito por promotor de justiça de Miracema do TO.

 

Um grupo de alunos que estava ocupando o Centro de Ensino Médio Dona Filomena Moreira de Paula, em Miracema do Tocantins, a 78 quilômetros de Palmas, foi retirado da unidade pela Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (27). Mais de 20 alunos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da escola ocuparam o local na quarta-feira (26) como forma de manifestação por serem contrários a PEC 241 e a Medida Provisória do Ensino Médio, a MP 746.

 

A PM confirmou que os militares foram chamados pelo promotor de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE) para desocupar o local. A Polícia Civil também confirmou que o grupo de alunos foi levado em uma van da PM para a delegacia, onde estão sendo ouvidos pelo delegado.

 

 

Ao todo, 26 alunos foram levados para a delegacia. Conforme a Polícia Civil, apenas dois têm mais de 18 anos. Durante a tarde, o juiz da comarcam mandou que todos os estudantes fossem soltos.

 

Durante a desocupação, alguns manifestantes foram algemados pelos militares. A informação foi confirmada pelo G1 com os próprios estudantes, que estão na delegacia.

 

"O promotor da cidade chegou sem nenhum mandado e fez a desocupação. Nós tínhamos autorização da diretora (para ficar no local). Eles me algemaram com um menor de 15 anos e tomaram meu celular, mas depois me devolveram", contou a manifestante Amanda Kharollyna, que é acadêmica da UFT.

 

Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação disse que tomou conhecimento da ocupação das dependências do Centro de Ensino Médio Dona Filomena. "Com acompanhamento da Diretoria Regional de Educação (DRE), o fato foi comunicado às autoridades responsáveis no município. A 3ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, por meio de seu titular, promotor Vilmar Ferreira de Oliveira, determinou a desocupação da escola."

 

Ministério Público
O Ministério Público afirmou que o promotor de Justiça decidiu iniciar o processo de desocupação após a diretora da unidade escolar ter procurado o MPE nesta quinta-feira (27), para informar que recebeu ameaça de morte de pessoas que estariam aliciando estudantes para fazerem parte da ocupação.

 

 

Além disso, conforme o promotor, pessoas identificadas com coletes da CUT e servidores da Universidade Federal do Tocantins adentraram na unidade escolar e comandaram todo o processo de ocupação. "O Promotor de Justiça também obteve informações de que os manifestantes mantiveram servidores do Colégio Estadual Dona Filomena em situação de cárcere privado", disse o MPE.

 

Ainda segundo o Ministério Público, tanto a Polícia Militar quanto o representante do MPE tentaram o diálogo para que os estudantes desocupassem o imóvel. Diante da recusa, o promotor de Justiça determinou que a PM iniciasse a desocupação de forma ordenada e sem qualquer tipo de violência.

 

"Diante da resistência de alguns estudantes em desocupar o imóvel e com o objetivo de resguardar a integridade física dos próprios alunos, o promotor ordenou que a autoridade policial contivesse com o uso de algemas dois estudantes que se recusavam a deixar o Colégio."

 

Polícia Militar
A Polícia Militar disse durante a tarde que o promotor determinou que os policiais entrassem no prédio para pedir ao grupo de alunos que deixasse a escola. "Durante a conversa com os alunos, segundo o policiamento local, dois estudantes passaram a insultar e vaiar o promotor de Justiça e os policiais."

 

"Diante da situação, o promotor Vilmar Ferreira de Oliveira determinou que os estudantes fossem recolhidos. O grupo resistiu e, por isso, foi necessário o uso de algemas até a chegada à delegacia, onde estão sendo seguidos os trâmites legais", disse a PM, em nota.